Os
Planos de Saúde podem estabelecer quais doenças serão cobertas em
seus contratos ,
mas não podem limitar o tratamento delas!
Assim,
se o seu plano de saúde não autorizar exame ou procedimento, sob a
alegação de que o mesmo não consta no Rol da Agência Nacional de
Saúde (ANS), ele está tendo uma atitude abusiva, passível de
sofrer sanções do Judiciário.
Isso
porque,
o Rol da ANS não é taxativo (definitivo, pré determinado), ele é
meramente exemplificativo, e,
havendo um Laudo Médico justificando
o tratamento, exame, etc, tal Laudo prevalece sobre o Rol da
ANS.
Deste
modo, ao ter seu exame, procedimento, etc, negado pelo Plano de Saúde
com a justificativa de que ele não está
previsto no rol da ANS, o consumidor tem o Direito de pedir nas
esferas do Judiciário, que o Plano de Saúde seja OBRIGADO a custear
o tratamento requerido e justificado pelo médico que acompanha o
Paciente/ Consumidor, além de ter Direito a um Indenização por
Danos Morais.
Este
é o entendimento de nossos Tribunais :
1
CIVIL.
DIREITO DO CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DA
SEGURADORA EM AUTORIZAR TRATAMENTO DE SAÚDE, SOB ALEGAÇÃO DE QUE O
MATERIAL SOLICITADO PELO MÉDICO REFERE-SE A PROCEDIMENTO NÃO
RELACIONADO NO ROL DA ANS.
IMPOSSIBILIDADE. PREVALÊNCIA
DO PARECER MÉDICO, NO
QUE RESPEITA AO TRATAMENTO MAIS ADEQUADO Á CURA DO PACIENTE.
RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. 1. AS RELAÇÕES ENTRE PLANO DE SAÚDE
E SEGURADOS SÃO REGIDAS PELO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, E AS
CLÁUSULAS CONTRATUAIS QUE EXCLUEM OU RESTRINGEM COBERTURA DEVEM SER
INTERPRETADAS RESTRITIVAMENTE, PORQUE CONTRÁRIAS ÀS EXPECTATIVAS DO
CONSUMIDOR, O QUAL CONTRATA UM PLANO DE SAÚDE COM O OBJETIVO DE SER
DEVIDAMENTE ASSISTIDO, QUANDO FOR NECESSÁRIO, INDEPENDENTEMENTE DA
ESPÉCIE DE PROCEDIMENTO MÉDICO-HOSPITALAR. O
ROL DE PROCEDIMENTOS PREVISTOS PELA AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPL
EMENTAR É UM INDICATIVO DE COBERTURA MÍNIMA, A QUE ESTÃO
LEGALMENTE OBRIGADAS TODAS AS OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE, MAS NÃO
EXAURE TODOS OS TRATAMENTOS QUE DEVEM SER COBERTOS, MESMO PORQUE A
CIÊNCIA MÉDICA É DINÂMICA, AS PESQUISAS AVANÇAM E A CADA DIA
PODEM SURGIR NOVOS PROCEDIMENTOS MAIS EFICAZES QUE OS ANTERIORES, NO
TRATAMENTO DAS MESMAS PATOLOGIAS. 3.
NO CASO CONCRETO, SE A PACIENTE, PORTADORA DE HÉRNIA DE DISCO,
NECESSITA SER SUBMETIDA AO TRATAMENTO DENOMINADO "LESÃO DE
SUBSTÂNCIA GELATINOSA MEDULAR (DREZ) POR RADIOFREQÜÊNCIA,
PROCEDIMENTO PREVISTO NO ROL DA ANS, NÃO PODE A SEGURADORA NEGAR O
ATENDIMENTO, SOB ALEGAÇÃO DE QUE DA REQUISIÇÃO CONSTA A
UTILIZAÇÃO DE MATERIAL INERENTE AO PROCEDIMENTO"NUCLEOPLASTIA",
O QUAL ESTARIA EXCLUÍDO DO REFERIDO ROL, EIS QUE CABE AO MÉDICO
ESCOLHER O MELHOR TRATAMENTO E OS MATERIAIS NECESSÁRIOS À SUA
EFICÁCIA. 4. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. SENTENÇA MANTIDA POR
SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS, SERVINDO A SÚMULA DO JULGAMENTO DE
ACÓRDÃO, NA FORMA AUTORIZADA PELO ART. 46, DA LEI N. 9.099/95. 5.
FICA A RECORRENTE CONDENADA AO PAGAMENTO DAS CUSTAS PROCESSUAIS, ALÉM
DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, FIXADOS EM R$ 500,00 (QUINHENTOS
REAIS), NA FORMA DO ART. 55, DA LEI DOS JUIZADOS ESPECIAIS (TJ-DF -
ACJ: 20070110244337 DF, Relator: JESUÍNO RISSATO, Data de
Julgamento: 25/11/2008, Segunda Turma Recursal dos Juizados
Especiais Cíveis e Criminais do D.F., Data de Publicação: DJU
21/01/2009 Pág. : 166)
2
DIREITO
CIVIL, DO CONSUMIDOR E PROCESSUAL. RECURSO DE AGRAVO INTERPOSTO
CONTRA DECISÃO TERMINATIVA EM SEDE DE APELAÇÃO. AÇÃO DE
OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. SEGURO DE
SAÚDE. PRESCRIÇÃO
MÉDICA DE TRATAMENTO NÃO ELENCADO EM ROL DA ANS. NEGATIVA DE
COBERTURA. INDEVIDA. DANO MORAL. CONFIGURADO. ROL DA TABELA DA ANS.
MERAMENTE TAXATIVO. COMPETÊNCIA PARA INDICAR O TRATAMENTO ADEQUADO A
PATOLOGIA DO PACIENTE. PROFISSIONAL DE SAÚDE. RECURSO
DE AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A alegação de que o
medicamento/tratamento prescrito não figura em rol da ANS, de forma
alguma, pode motivar a negativa de fornecimento por parte da
operadora recorrente. 2. A competência da ANS é a de publicar, de
forma taxativa, o rol mínimo de coberturas obrigatórias a serem
ofertadas pelos planos de saúde. 3. A ANS não dispõe de poder para
restringir ou limitar a responsabilidade das operadoras de saúde
que, na verdade, advém da lei e dos próprios contratos celebrados
com os consumidores. 4. O tratamento adequado a ser dispensado ao
paciente não depende de juízo valorativo a ser exercido pela
empresa administradora do seguro-saúde. 5. Em verdade, a competência
para estabelecer o tratamento de saúde adequado para a patologia do
paciente é do profissional de saúde e, não do plano de saúde.
6. "Nos termos da
jurisprudência reiterada do STJ,"a recusa indevida à cobertura
pleiteada pelo segurado é causa de danos morais, pois agrava a sua
situação de aflição psicológica e de angústia no
espírito" (REsp 657717/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi,
DJ 12/12/2005) (AgRg no REsp 1528089/RS, Rel. Ministro
LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe
08/06/2015). 7. Recurso de Agravo a que se nega provimento por
unanimidade de votos. (TJ-PE - AGR: 3827534 PE, Relator: Francisco
Manoel Tenorio dos Santos, Data de Julgamento: 13/08/2015, 4ª
Câmara Cível, Data de Publicação: 24/08/2015).
DIR
Qualquer
dúvida, entrem em contato conosco.
Sampaio
& Chagas Advocacia
Praça
da Independência, nº 29, Edifício Brasilar, Bairro de Santo
Antônio (na frente do Diário de Pernambuco).
Plantão:
981558143 – Wilson Sampaio
986261011 – Manuela Chagas
Nenhum comentário:
Postar um comentário